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procurar o erro

    “Os experimentadores procuram de modo muito diligente e esforçado exactamente nos pontos em que nos parece mais provável que se possa vir a provar que as nossas teorias possam estar erradas. Por outras palavras, estamos a tentar provar que estamos errados o mais depressa possível, pois só assim poderemos encontrar o progresso.-  Richard Feynmam, in Einstein e Buda, Estrela Polar , 2005, p. 62.

Paradigmas

  “Quando os paradigmas entram, como tem de acontecer, no debate acerca da escolha de paradigmas, o seu papel é necessariamente circular. Cada grupo usa o seu próprio paradigma para argumentar a favor do seu paradigma”.- Thomas Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas, Guerra e Paz, 2009, p.136,

A Revolução Coperniciana

 "Não necessito de insistir na enorme importância científica e filosófica da astronomia coperniciana, que, ao arrancar a Terra do centro do mundo e ao colocá-la no céu entre os planetas, minou os próprios alicerces da ordem cósmica tradicional, juntamente com a sua estrutura hierárquica e a oposição qualitativa do domínio celeste do ser imutável às regiões terrestres ou sublunares da mudança e da dissolução. Comparada com a crítica profunda das suas bases metafísicas por Nicolau de Cusa, a revolução coperniciana pode parecer mais tímida e muito pouco radical. Em compensação, ela foi muito mais eficaz, pelo menos a longo prazo: porque, como sabemos, o resultado imediato da revolução coperniciana foi o de difundir o cepticismo e a perturbação."- Alexandre Koyré, Do Mundo Fechado ao Universo Infinito (trad. Jorge Pires), Lisboa, Gradiva, s/d, p.34-35.

Paradigma

 "Em história da ciência o termo foi introduzido por T.Kuhn na obra A Estrutura das Revoluções Científicas designando uma teoria ou sistema aceites por uma comunidade científica e que durante algum tempo orienta a sua actividade. Inclui quer regras metodológicas, quer elementos axiológicos e metafísicos. podemos considerar como exemplos de paradigma a mecânica newtoniana e a teoria da relatividade de Einstein. A mudança de paradigma corresponde a uma revolução científica e a uma nova maneira de ver o mundo tão diferentes que Kuhn considera que paradigmas em competição são em geral incomensuráveis."- Alfredo Dinis, Logos, Lisboa, Verbo, 1991, 1332.

Filosofia da Ciência

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 Já aqui falei da excelente série The Great Philosophers, exibida pela BBC em 1987, e que deu origem a um livro (traduzido em português pela Presença). Bryan Magee, o coordenador, já antes nos oferecera alguns programas com filósofos relevantes. É o caso desta entrevista com Hilary Putnam, acerca da filosofia da ciência.

As duas vias da ciência

 "Mais claro nos aparece agora o problema, problema intransponível, que estávamos expondo levantar-se ele à ciência moderna: o de lhe ser impossível, tendo de negar realidade ao mundo sensível, atribuir valor de conhecimento à sensação. Ora também vimos que a ciência não só nega realidade ao mundo sensível como o isola do inteligível, que passa a ignorar. Onde, então, vai a ciência firmar a origem do conhecimento? Que valor de conhecimento pode ter a sensação se o sensível, ou o sentido, não é real? Como, sobre isso, atribuir á sensação, não apenas valor, mas plenitude de conhecimento? Como entender?  Tornou-se o problema intransponível quando a ciência escolheu, entre as duas vias que se lhe ofereciam, a do experimentalismo. A outra via, preterida, é a do espiritualismo. A escolhida, foi a aberta por Galileu. A preterida, é a representada por Descartes."- Orlando Vitorino, As Teses da Filosofia Portuguesa , Lisboa, Guimarães, 2015, p.153-154.

E como o blogue hoje faz anos...mais um texto do sr. Popper

    “Dá-se o caso de os astrólogos sempre se terem vangloriado de que as suas teorias se baseavam num número enorme de verificações- numa quantidade esmagadora de provas indutivas. Essa pretensão nunca foi seriamente investigada nem explorada, e não vejo porque é que não haveria de ser verdadeira. Mas pouco ou nada interessante é saber se a astrologia foi muitas vezes ou poucas verificada; a questão é a de saber se ela alguma vez foi seriamente testada por meio de tentativas sinceras de a falsificar.”  Karl Popper, O Realismo e o Objectivo da Ciência, Dom Quixote , 1977, p.65

Observação

  “Há vinte e cinco anos, tentei trazer esta questão a um grupo de estudantes de Física, em Viena, iniciando uma conferência com as seguintes instruções: ‘Peguem no lápis e no papel; observem cuidadosamente e anotem o que observarem!” Eles perguntaram, como é óbvio, o que é que eu queria que eles observassem. Manifestamente, a instrução ‘Observem!’ é absurda. (…). A observação é sempre selectiva. Requer um objecto determinado, uma tarefa definida, um interesse, um ponto de partida, um problema”.  Karl Popper, Conjecturas e Refutações , Almedina, 2003, p.72.

Continuidade e descontinuidade na ciência

  “ Bem, em boa-fé, multiplicamo-nos nos nossos representantes. Quão facilmente adoptamos os seus labores! Cada barco que chega à América deve a Colombo a sua carta náutica. Todo o romance é devedor de Homero. O carpinteiro que aplaina com a sua garlopa toma de empréstimo o génio de um inventor esquecido. A vida está rodeada por um zodíaco de ciência, pelas contribuições de homens que morreram para acrescentar o seu ponto de luz ao nosso céu. (…) Estes construtores de caminhos de vários destinos enriquecem-nos.”- Ralph Waldo Emerson, Homens Representativos , Lisboa, Edições 70, 2021, p.13.

O que é a ciência?

  “ A ciência não é um sistema de afirmações certas  ou bem estabelecidas; nem é um sistema que avance regularmente para um estado de finalidade. A nossa ciência não é conhecimento (episteme): nunca pode reivindicar ter atingido a verdade, ou sequer algo que a substitua, como a probabilidade […]. Na ciência não sabemos: só podemos adivinhar. E adivinhamos usando como guia a fé não-científica, metafísica (ainda que biologicamente explicável), nas leis, em regularidades que nunca podemos pôr a descoberto – ou descobrir. O nosso método de investigação não é defender o que adivinhamos para provar que tínhamos razão. Pelo contrário, tentamos derrubar o que adivinhamos.”- Karl Popper, cit. In Nicholas Rescher, Uma Viagem Pela Filosofia em 101 Episódios , Gradiva, 2018, pp.311-312

Breve nota sobre mitologia da ciência

  Uma das ideias feitas acerca do trabalho científico é aquela que nos mostra o cientista como um ser solitário, isolado no seu laboratório, num trabalho febril e muitas vezes afastado da sociedade – a qual não o compreende. Essa imagem faz parte da mitologia da ciência, uma mitologia desenvolvida ao longo dos séculos, mas sobretudo consolidada no século XIX, com a reacção romântica ao avanço científico.   Clarifiquemos: a ciência progredira desde a Antiguidade, e a Idade Média não foi aquela época de estagnação que tantas vezes se pensa – também aí existiu inovação. Mas foi com maior vigor no século XIX (apesar dos avanços dos séculos anteriores) que se deu um avanço científico e tecnológico significativo. Com ele, ao lado de um aumento do bem-estar, houve igualmente um aumento dos medos ligados a um poder que o homem parecia, por vezes, incapaz de conhecer e controlar. O mito de Frankenstein cristaliza essa atitude romântica face à ciência e à sua linguagem. Apesar do dr. ...