As duas vias da ciência

 "Mais claro nos aparece agora o problema, problema intransponível, que estávamos expondo levantar-se ele à ciência moderna: o de lhe ser impossível, tendo de negar realidade ao mundo sensível, atribuir valor de conhecimento à sensação. Ora também vimos que a ciência não só nega realidade ao mundo sensível como o isola do inteligível, que passa a ignorar. Onde, então, vai a ciência firmar a origem do conhecimento? Que valor de conhecimento pode ter a sensação se o sensível, ou o sentido, não é real? Como, sobre isso, atribuir á sensação, não apenas valor, mas plenitude de conhecimento? Como entender?

 Tornou-se o problema intransponível quando a ciência escolheu, entre as duas vias que se lhe ofereciam, a do experimentalismo. A outra via, preterida, é a do espiritualismo. A escolhida, foi a aberta por Galileu. A preterida, é a representada por Descartes."- Orlando Vitorino, As Teses da Filosofia Portuguesa, Lisboa, Guimarães, 2015, p.153-154.

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