A modernidade: um projecto inacabado
Em 1980, ao receber o prémio Adorno, Jurgen Habermas proferiu um discurso com este título e que, mais tarde, haveria de dar origem a um dos textos mais conhecidos da produção bibliográfica relativa ao assunto em epígrafe. Tratou-se da obra O Discurso Filosófico da Modernidade. A tese fundamental defende que as promessas do iluminismo ficaram por cumprir, pelo que podemos concluir que algumas das categorias fundamentais da Modernidade também estarão incluídas nesse incumprimento. Retomando as teses de Adorno, que situa o início da Modernidade por alturas de 1850, Habermas presenteia-nos com uma reflexão acerca da mesma começando por um pressuposto interessante, o de que o sentimento do moderno não é algo de tão tardio. O termo “moderno” terá surgido no século V, contrapondo a nova realidade cristã em contraposição a uma ordem pagã progressivamente desvanecida. Este sentimento renovar-se-ia em diferentes períodos da história europeia, “sempre que (…) se gerou a consciência...