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Estado natural

  “Partindo da premissa de que no estado de natureza, fora de qualquer comunidade, nada mais haveria senão a guerra de todos contra todos, Hobbes argumenta que os princípios racionais de interesse próprio iriam forçar os homens a abdicar da sua liberdade ilimitada em troca de iguais concessões por parte dos outros. Tais princípios levá-los-iam a transferir os seus direitos, excepto o de autodefesa, para um poder central capaz de fazer cumprir as leis através de castigos”.  Anthony Kenny, Ascensão da Filosofia Moderna , Gradiva, 2011, p.56.

Fragilidade

  "Segundo Hobbes, os seres humanos existem por natureza num estado de independência e autonomia radicais. Ao reconhecerem a fragilidade de uma condição na qual a vida em tal estado é “desagradável, brutal e breve”, usam o seu interesse próprio racional para sacrificarem a maioria dos seus direitos a fim de garantirem a protecção e a segurança de um soberano. A legitimidade é conferida por consentimento."  - Patrick J. Deneen, Porque Está a Falhar o Liberalismo, Gradiva, 2019, p43.  

Estado

  “O Estado tem vida própria. É uma espécie de organismo: a populaça é o seu ‘corpo político’; o aparato governamental a sua ‘cabeça’. E as pessoas devem aceitar (e em geral aceitam) o que encontram porque a alternativa é a desestabilização- o caos, uma ‘guerra de todos contra todos’.   E em tal situação toda a gente fica pior.   A justificação de Hobbes para reconhecer os ‘poderes instalados’ era efectivamente a seguinte: considere-se a alternativa. Pergunte-se a si próprio que género de situação teria numa sociedade na qual toda a gente estabelecesse a sua própria lei. O resultado seria a liberdade completa sujeita ao princípio do cada qual por si. As suas hipóteses de ter uma vida satisfatória seriam praticamente nulas.”- Nicholas Rescher, Uma Viagem Pela Filosofia em 101 Episódios, p.140, Gradiva, Lisboa, 2018.

Há que tirar Thomas Hobbes da estante

 E reler o que ele tem para nos dizer, face ao sucedido nas últimas semanas no plano internacional. Num momento em que se fala muito em direito internacional, talvez seja aconselhável relembrar que esse direito assenta, frequentemente, na força. Nada de novo, no fundo. Basta recordarmo-nos do mapa cor-de-rosa. Os actores vão mudando, a força permanece essencial. A paz perpétua de Kant é uma ilusão cultivada por optimistas demasiado crentes no mito do progresso e da perfectibilidade.  Há duas edições do Leviatã em Portugal, acessíveis facilmente. A da IN-CM, mais antiga; a da Book Builders (E-Primatur), mais recente.

Estado de guerra

 "Daquela lei de natureza pela qual somos obrigados a transferir aos outros aqueles direitos que, ao serem conservados, impedem a paz da humanidade, segue-se uma terceira: Que os homens cumpram os pactos que celebrarem . Sem esta lei os pactos seriam vãos, e não passariam de palavras vazias; como o direito de todos os homens a todas as coisas continuaria em vigor, permaneceríamos na condição de guerra."- Thomas Hobbes, Leviatã (trad. de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva), Lisboa, FCG, 1999, p.125.