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E como o blogue hoje faz anos...mais um texto do sr. Popper

    “Dá-se o caso de os astrólogos sempre se terem vangloriado de que as suas teorias se baseavam num número enorme de verificações- numa quantidade esmagadora de provas indutivas. Essa pretensão nunca foi seriamente investigada nem explorada, e não vejo porque é que não haveria de ser verdadeira. Mas pouco ou nada interessante é saber se a astrologia foi muitas vezes ou poucas verificada; a questão é a de saber se ela alguma vez foi seriamente testada por meio de tentativas sinceras de a falsificar.”  Karl Popper, O Realismo e o Objectivo da Ciência, Dom Quixote , 1977, p.65

Observação

  “Há vinte e cinco anos, tentei trazer esta questão a um grupo de estudantes de Física, em Viena, iniciando uma conferência com as seguintes instruções: ‘Peguem no lápis e no papel; observem cuidadosamente e anotem o que observarem!” Eles perguntaram, como é óbvio, o que é que eu queria que eles observassem. Manifestamente, a instrução ‘Observem!’ é absurda. (…). A observação é sempre selectiva. Requer um objecto determinado, uma tarefa definida, um interesse, um ponto de partida, um problema”.  Karl Popper, Conjecturas e Refutações , Almedina, 2003, p.72.

Continuidade e descontinuidade na ciência

  “ Bem, em boa-fé, multiplicamo-nos nos nossos representantes. Quão facilmente adoptamos os seus labores! Cada barco que chega à América deve a Colombo a sua carta náutica. Todo o romance é devedor de Homero. O carpinteiro que aplaina com a sua garlopa toma de empréstimo o génio de um inventor esquecido. A vida está rodeada por um zodíaco de ciência, pelas contribuições de homens que morreram para acrescentar o seu ponto de luz ao nosso céu. (…) Estes construtores de caminhos de vários destinos enriquecem-nos.”- Ralph Waldo Emerson, Homens Representativos , Lisboa, Edições 70, 2021, p.13.

O que é a ciência?

  “ A ciência não é um sistema de afirmações certas  ou bem estabelecidas; nem é um sistema que avance regularmente para um estado de finalidade. A nossa ciência não é conhecimento (episteme): nunca pode reivindicar ter atingido a verdade, ou sequer algo que a substitua, como a probabilidade […]. Na ciência não sabemos: só podemos adivinhar. E adivinhamos usando como guia a fé não-científica, metafísica (ainda que biologicamente explicável), nas leis, em regularidades que nunca podemos pôr a descoberto – ou descobrir. O nosso método de investigação não é defender o que adivinhamos para provar que tínhamos razão. Pelo contrário, tentamos derrubar o que adivinhamos.”- Karl Popper, cit. In Nicholas Rescher, Uma Viagem Pela Filosofia em 101 Episódios , Gradiva, 2018, pp.311-312

Medo

 "O medo é a mais antiga e a mais poderosa das emoções humanas, e o tipo de medo mais antigo e mais poderoso é o medo do desconhecido. poucos psicólogos questionarão estes factos, e a aceitação desta verdade deve fixar para sempre a genuinidade e o valor do conto fantástico de horror como forma literária."- H.P. Lovecraft, O Terror Sobrenatural na Literatura (trad. Ana Magalhães/Daniel Seabra Lopes), Lisboa, Vega, 2003.

A Guerra dos Metais Raros

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  Na disciplina de Ciência Política, as aprendizagens essenciais não pressupõem noções de geopolítica. Mas, numa disciplina como a referida, é impossível passar à margem de certos acontecimentos que se vão sucedendo um pouco por todo o mundo.  Uma das questões mais prementes dos nossos dias diz respeito, precisamente, aos metais raros e às terras raras, elementos indispensáveis à actual transição energética. Todos os dias, nos últimos tempos, temos recebido alertas sobre a Gronelância, e um dos elementos que se coloca em jogo naquele cenário é precisamente este, o das terras raras. Portanto, como um estudante de Ciência Política deve estar informado sobre o que se vai passando em seu redor, aqui fica esta sugestão. A edição é do ano passado, traduzida da edição francesa revista em 2023. O autor é um jornalista que percorreu uma série de países para recolher o material que serviu de suporte a esta investigação. O resultado é uma obra muito esclarecedora sobre o que já aí está e...

Argumento do desígnio

  “O novo argumento do desígnio surgiu durante o século XX, alimentado por descobertas científicas e teorias respeitantes tanto á origem do nosso universo como às condições que nele tiveram de prevalecer desde o início para que o tipo de vida que conhecemos tivesse alguma hipótese sequer de ocorrer no universo à medida que este se desenvolvia. Ao contrário dos defensores do argumento que Darwin e Hume criticaram, os defensores do novo argumento não começam pela existência de seres vivos (…) procurando uma explicação para o facto de serem sistemas teleológicos tão intrincados (…). Ao invés, os defensores do novo argumento do desígnio perguntam que condições tem de haver no universo para que seja sequer possível a existência de seres vivos.” - William L. Rowe, Introdução à Filosofia da Religião , Verbo, 2011. P.102.