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Belo e Sublime

 "O sentimento refinado que agora queremos tomar em consideração tem uma natureza dúplice. O sentimento do sublime e do belo . A comoção que ambos geram é aprazível, mas tem uma natureza completamente diferente. A paisagem de uma montanha cujos cumes nevados se destacam sobre as nuvens, a descrição de uma tempestade furiosa ou a apresentação do inferno de Milton causa comprazimento, mas acompanhada de assombro. Pelo contrário, a contemplação de campos floridos, dos vales com ribeiros serpenteantes, cobertos de rebanhos pastando, a descrição do Elíseo ou o relato de Homero do cinto de Vénus , proporcionam também uma sensação agradável, que, porém, é alegre e jovial. Assim para que aquela primeira impressão se possa produzir em nós com intensidade temos de ter o sentimento do sublime , enquanto para desfrutar do segundo necessitamos do sentimento do belo ."- Immanuel Kant, Observações Sobre o Sentimento do Belo e do Sublime (trad. Pedro Panarra), Lisboa, Edições 70, 2024, p...

Paradigmas

  “Quando os paradigmas entram, como tem de acontecer, no debate acerca da escolha de paradigmas, o seu papel é necessariamente circular. Cada grupo usa o seu próprio paradigma para argumentar a favor do seu paradigma”.- Thomas Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas, Guerra e Paz, 2009, p.136,

Astrólogos

  “Dá-se o caso de os astrólogos sempre se terem vangloriado de que as suas teorias se baseavam num número enorme de verificações- numa quantidade esmagadora de provas indutivas. Essa pretensão nunca foi seriamente investigada nem explorada, e não vejo porque é que não haveria de ser verdadeira. Mas pouco ou nada interessante é saber se a astrologia foi muitas vezes ou poucas verificada; a questão é a de saber se ela alguma vez foi seriamente testada por meio de tentativas sinceras de a falsificar.”- Karl Popper, O Realismo e o Objectivo da Ciência, Dom Quixote , 1977, p.65

Amizade

  “Um dos grandes prazeres, segundo Epicuro, é o da amizade, philia . A amizade pode começar com considerações sobre a utilidade que as pessoas têm umas para as outras, mas logo se transforma num vínculo de altruísmo profundo e duradouro” A.C. Grayling, Uma História da Filosofia , Edições 70, 2020, p.139.

Estado natural

  “Partindo da premissa de que no estado de natureza, fora de qualquer comunidade, nada mais haveria senão a guerra de todos contra todos, Hobbes argumenta que os princípios racionais de interesse próprio iriam forçar os homens a abdicar da sua liberdade ilimitada em troca de iguais concessões por parte dos outros. Tais princípios levá-los-iam a transferir os seus direitos, excepto o de autodefesa, para um poder central capaz de fazer cumprir as leis através de castigos”.  Anthony Kenny, Ascensão da Filosofia Moderna , Gradiva, 2011, p.56.

Fragilidade

  "Segundo Hobbes, os seres humanos existem por natureza num estado de independência e autonomia radicais. Ao reconhecerem a fragilidade de uma condição na qual a vida em tal estado é “desagradável, brutal e breve”, usam o seu interesse próprio racional para sacrificarem a maioria dos seus direitos a fim de garantirem a protecção e a segurança de um soberano. A legitimidade é conferida por consentimento."  - Patrick J. Deneen, Porque Está a Falhar o Liberalismo, Gradiva, 2019, p43.  

Subjectivismo

 "Imagine-se qualquer acção reconhecidamente viciosa: homicídio voluntário, por exemplo. Examinemo-lo sob todas as perspectivas, e vejamos se conseguimos encontrar esse facto ou realidade que chamamos vício. (...) Nunca conseguimos descobri-lo até voltarmos a reflexão para nós mesmos e descobrirmos um  sentimento de reprovação que nasce em nós, perante essa acção. Eis uma questão de facto; mas é objecto do sentimento e não da razão."- David Hume, Tratado da Natureza Humana.