Um ofício perigoso
É assim que se intitula um livro, saído já há alguns anos (edição portuguesa da já extinta Teorema e autoria de Luciano Canfora), no qual somos convidados a reflectir acerca da perigosidade inerente ao exercício do pensar na antiga Grécia. Claro que não é assim tão simples, mas estou a sintetizar ao máximo. E, aparentemente, o título tem razão de ser. Se olharmos para a história da filosofia encontramos diversos exemplos de filósofos que foram perseguidos e confrontados de forma mais ou menos violenta devido às suas ideias. Sócrates, Aristóteles, Anaxágoras, Boécio, Bruno, Descartes, Galileu, entre outros, foram alguns dos que se viram mortos, perseguidos, censurados, em virtude daquilo que parece ser a essência da actividade filosófica, o exercício crítico. De resto, os livros, manuais de filosofia e afins costumam insistir nessa ideia e o filósofo surge, frequentemente, como alguém que rema contra a corrente, como alguém que caminha deslocado da multidão. Curios...