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Compatibilismo

 " Por um lado, um conjunto de argumentos muito poderosos força-nos à conclusão de que a vontade livre não existe no Universo. Por outro, uma série de argumentos poderosos baseados em factos da nossa própria experiência inclina-nos para a conclusão de que deve haver alguma liberdade da vontade, porque aí todos a experimentamos em todo o tempo.  Há uma solução corrente para este enigma filosófico. Segundo essa solução, a vontade livre e o determinismo são perfeitamente compatíveis entre si."-  John Searle, Mente, Cérebro e Ciência , Edições 70, 1984, p. 108.

E hoje...

 ...passam 376 anos sobre a morte de Descartes, em Estocolmo.

E ainda o relativismo

  "A ideia de que a ética é apenas uma questão de convenções sociais atraiu sempre as pessoas educadas. Culturas diferentes têm códigos morais diferentes, diz-se e pensar que há um padrão universal que se aplica em todas as épocas e lugares não passa de uma ingenuidade. É fácil encontrar exemplos. Nos países islâmicos, os homens podem ter mais do que uma mulher. Na Europa medieval, pensava-se que emprestar dinheiro a juros era pecado. Os povos nativos do norte da Gronelândia por vezes abandonavam as pessoas velhas, deixando-as morrer ao frio. Ao pensar em exemplos como estes, os antropólogos concordam há muito com a afirmação de Heródoto: ‘O costume é o rei de todos nós’.”-   James Rachels, Problemas da Filosofia, Gradiva, 2009, pp.237

Relativismo (de novo)

  "É uma verdade incontroversa que pessoas de diferentes sociedades têm costumes diferentes e diferentes ideias acerca do bem e acerca do mal morais. Não há consenso mundial sobre a questão de saber que acções são moralmente boas e moralmente más, apesar de existir uma convergência considerável sobre estas matérias. Se tivermos em consideração o quanto as ideias morais mudam, quer de lugar para lugar, quer ao longo do tempo, pode ser tentador pensar que não existem factos morais absolutos e que, pelo contrário, a moral é sempre relativa à sociedade na qual fomos educados."  Nigel Warburton, Elementos Básicos de Filosofia , Gradiva, 1998, pp.98-99

Pensar Como um Filósofo

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  De Julian Baggini já tinha sido publicada a obra As Fronteiras da Razão na Filosofia Aberta. Agora, nesta colecção aparentemente renovada, surge novo título. É o primeiro desde que a editora Guerra e Paz assumiu a parceria com a Gradiva. Que a Filosofia Aberta continue com a qualidade a que nos habituou é o que se deseja. E não há razões para que assim não seja, conhecendo o trabalho que a Guerra e paz também tem feito no âmbito filosófico.

Uma boa questão

  "Se fizermos um inventário do mundo, anotando todas as coisas que existem, poderemos fazer uma lista muito longa que mencione pedras, rios, montanhas, plantas e animais. Encontraríamos edifícios, desertos, grutas, ferro e ar. Olhando para cima, veríamos estrelas e galáxias. Obviamente, nunca conseguiríamos concluir essa lista. (…)   Mas, entre todas essas coisas, onde estão os valores? Em lado nenhum, parece ser a resposta. Os valores não existem, pelo menos da mesma forma que as pedras e os rios. Considerado à margem dos sentimentos e dos interesses humanos, o mundo parece não incluir quaisquer valores."-  James Rachels, Problemas da Filosofia , Gradiva, 2009, p.251

Determinismo

  "Supõe que estás na bicha de uma cantina e que, quando chegas às sobremesas, hesitas entre um pêssego e uma grande fatia de bolo de chocolate com uma cremosa cobertura de natas. O bolo tem bom aspecto, mas sabes que engorda. Ainda assim, tiras o bolo e come-lo com prazer. No dia seguinte vês-te ao espelho, ou pesas-te, e pensas: “Quem me dera não ter comido o bolo de chocolate. Poia antes ter comido o pêssego”.  “Podia ter comido antes o pêssego.” Que quer isto dizer? E será verdade?"-  Thomas Nagel, Que Quer Dizer Tudo Isto? , Gradiva, 1995, p. 46.