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Sobre a lei natural

 "Vamos agora ocupar-nos da ciência das obras. Ao tratá-la encontramos quatro leis.  A primeira é chamada 'lei natural', que mais não é do que a luz implantada em nós por Deus pela qual sabemos o que devemos fazer e evitar. Esta lei e esta luz foram dadas por Deus ao homem na criação. Muitos, que não observam esta lei. julgam ser desculpados por ignorância. Contra esses diz o profeta: 'Muitos dizem 'quem nos fará ver o bem?' (Sl 4, 7), como se ignorassem o que deveriam fazer. Mas responde logo em seguida 'Senhor, levanta sobre nós a luz da tua face'. Esta luz está no intelecto e por ela são definidas as coisas que devemos fazer. Ninguém, na verdade, ignora que aquilo que não quer que lhe façam, não o deve fazer aos outros e outros princípios semelhantes."- São Tomás de Aquino, Catecismo (tradução de Duarte da Cunha e João César das Neves), Cascais, Lucerna, 2022, pp.141-142.

Filosofia e misticismo

 "A filosofia é um enorme apetite de transparência e uma resoluta vontade de meio-dia. O seu propósito radical é trazer para a superfície, declarar, descobrir o oculto ou velado - na Grécia a filosofia começou por chamar-se alétheia , que significa desocultação, revelação ou desvelação; em suma, manifestação. E manifestar não é senão falar, logos . Se o misticismo é calar, filosofar é dizer: descobrir na grande nudez e transparência da palavra o ser das coisas, dizer o ser - ontologia . Frente ao misticismo, a filosofia gostaria de ser o segredo aos gritos."- José Ortega y Gasset, O Que é a Filosofia? (trad. de José Bento), Lisboa, Cotovia, 1999.

A prática filosófica

 "Porquê no mundo dos homens existe esta estranha fauna dos filósofos? Porquê entre os pensamentos dos homens há o que chamamos 'filosofias'? Como se vê, o tema não é popular, mas puramente técnico (...). É evidente que eu hei-de procurar ser entendido por todos, porque (...) penso que a claridade é a gentileza do filósofo (...). Em filosofia não costuma ser a via recta o caminho mais curto. Os grandes temas filosóficos só se deixam conquistar quando são tratados como os Hebreus fizeram com Jericó - aproximando-nos deles numa linha curva, em círculos concêntricos cada vez mais estreitos e insinuantes."- José Ortega y Gasset, O Que é a Filosofia? (trad. de José Bento), Lisboa, Cotovia, 1999, p.13-14.

Sobre o sentido da História (e da Filosofia)

 "Mas terá sentido falar de ´ventos da História'? A expressão corresponde sem dúvida a uma realidade, ou, mais rigorosamente, a um facto de ordem cultural. Há épocas em que os homens sentem que uma força tende a arrastá-los colectivamente, uma força com a qual não parece possível dialogar mas se apresenta imperativa e parece sentenciar - ou vens comigo ou morres! Mas esse facto psicológico terá fundamento fora do plano subjectivo? Sabe-se como as filosofias de raiz hegeliana supõem a existência daquilo a que Spengler chamou 'almas das culturas'. E Leo Frobenius dirá: 'A cultura não é criada pelo homem. É o homem que é criado pela cultura'. Quer dizer, segundo esta concepção, não é o homem que faz a História: a História é que faz o homem. Sem poder entrar aqui na análise crítica desta teoria, direi simplesmente que a considero (ao menos na sua forma absoluta) inaceitável a uma mentalidade cristã.". - Henrique Barrilaro Ruas, Portugal no Mundo de Hoje, Coimb...

Do Sentimento Trágico da Vida

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 Um dos grandes textos da filosofia ibérica, escrito por um amigo de Portugal, agora reeditado pela Bookbuilders. Vale a pena.

Sobre a origem dos males

 "Voltaire, parecendo sempre acreditar em Deus, nunca acreditou verdadeiramente senão no diabo, visto que o seu suposto Deus não passa de um ser malfazejo, que, segundo ele, apenas sente prazer em prejudicar. O absurdo dessa doutrina, que salta à vista, torna-se particularmente revoltante num homem cumulado de bens de toda a espécie, que, no seio da felicidade, procura desesperar os seus semelhantes com a imagem horrível e cruel de todas as calamidades de que ele está isento. Mais autorizado do que ele para enumerar e avaliar os males da vida humana, fiz o seu exame equitativo e provei-lhe que, de todos esses males, não havia um de que a Providência não estivesse ilibada, e que não tivesse a sua origem nos abusos que o homem fez das suas faculdades, mais do que na sua própria natureza.". Rousseau, As Confissões- segunda parte (trad. de Manuel de Freitas), Silveira, E-Primatur, 2025, p.190-191.

Arte

 "Toda a arte é exorcismo."- Otto Dix.