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Liberdade

  “Otto Dix (…) durante o seu serviço na frente, viu suficientes salvas de artilharia para reconhecer uma espécie de Gólgota no rescaldo dos ataques (…). Mas Dix (…) recusava-se a considerar que o sofrimento de Cristo tivesse servido algum propósito. Imaginar que servira qualquer fim era apegar-se aos valores de um escravo ‘Ser crucificado, conhecer o mais profundo abismo da vida’ era a sua própria recompensa. Quando Dix se alistou, em 1914, fê-lo porque queria conhecer os extremos da vida e da morte (…). Só na inebriação de experiências deste tipo é que um homem podia ser mais do que um homem: um Ubermensch [super-homem]. Ser livre era ser grande; e ser grande era ser terrível. Não fora a Bíblia a ensiná-lo a Dix” - Tom Holland, Domínio , Vogais, 2022, p.511-512.

Um espectáculo grandioso

  “É um espectáculo grandioso e belo ver o homem sair do nada, por assim dizer, pelo seu próprio esforço: dissipar por meio das trevas da sua razão as trevas nas quais a natureza o envolvera; elevar-se acima dele mesmo; alçar-se através do espírito às regiões celestes; como o Sol, percorrer a passo de gigante a vastidão do universo; e, mais grandioso e difícil ainda, voltar-se para si mesmo para aí examinar o homem e conhecer a sua natureza”.-  J. J. Rousseau, Discurso Sobre as Ciências e as Artes , Edições 70, 2019, p.27.

Compatibilismo

 " Por um lado, um conjunto de argumentos muito poderosos força-nos à conclusão de que a vontade livre não existe no Universo. Por outro, uma série de argumentos poderosos baseados em factos da nossa própria experiência inclina-nos para a conclusão de que deve haver alguma liberdade da vontade, porque aí todos a experimentamos em todo o tempo.  Há uma solução corrente para este enigma filosófico. Segundo essa solução, a vontade livre e o determinismo são perfeitamente compatíveis entre si."-  John Searle, Mente, Cérebro e Ciência , Edições 70, 1984, p. 108.

E hoje...

 ...passam 376 anos sobre a morte de Descartes, em Estocolmo.

E ainda o relativismo

  "A ideia de que a ética é apenas uma questão de convenções sociais atraiu sempre as pessoas educadas. Culturas diferentes têm códigos morais diferentes, diz-se e pensar que há um padrão universal que se aplica em todas as épocas e lugares não passa de uma ingenuidade. É fácil encontrar exemplos. Nos países islâmicos, os homens podem ter mais do que uma mulher. Na Europa medieval, pensava-se que emprestar dinheiro a juros era pecado. Os povos nativos do norte da Gronelândia por vezes abandonavam as pessoas velhas, deixando-as morrer ao frio. Ao pensar em exemplos como estes, os antropólogos concordam há muito com a afirmação de Heródoto: ‘O costume é o rei de todos nós’.”-   James Rachels, Problemas da Filosofia, Gradiva, 2009, pp.237

Relativismo (de novo)

  "É uma verdade incontroversa que pessoas de diferentes sociedades têm costumes diferentes e diferentes ideias acerca do bem e acerca do mal morais. Não há consenso mundial sobre a questão de saber que acções são moralmente boas e moralmente más, apesar de existir uma convergência considerável sobre estas matérias. Se tivermos em consideração o quanto as ideias morais mudam, quer de lugar para lugar, quer ao longo do tempo, pode ser tentador pensar que não existem factos morais absolutos e que, pelo contrário, a moral é sempre relativa à sociedade na qual fomos educados."  Nigel Warburton, Elementos Básicos de Filosofia , Gradiva, 1998, pp.98-99

Pensar Como um Filósofo

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  De Julian Baggini já tinha sido publicada a obra As Fronteiras da Razão na Filosofia Aberta. Agora, nesta colecção aparentemente renovada, surge novo título. É o primeiro desde que a editora Guerra e Paz assumiu a parceria com a Gradiva. Que a Filosofia Aberta continue com a qualidade a que nos habituou é o que se deseja. E não há razões para que assim não seja, conhecendo o trabalho que a Guerra e paz também tem feito no âmbito filosófico.