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Filosofia moderna

 "Aquela filosofia que hoje se ensina nas escolas com a designação de 'filosofia moderna', caracteriza-a Hegel por 'abandonar totalmente o domínio da teologia filosofante' e constituir 'o ponto de partida daquilo a que os franceses chamam as ciências exactas'. O que lhe é essencial, o primado da vontade, recebe-o todavia a filosofia moderna da teologia escolástica. Por isso dizemos que só aparentemente ela representa uma ruptura com a teologia, filosofante ou não, e antes a prolonga dando-lhe, precisamente no abandono da expressão teológica e na construção das ciências exactas, as condições para um triunfo que, há quatro séculos indiscutido, hoje podemos ver ter sido, e estar sendo, ilusório.  Tal como é entendida escolarmente, a filosofia moderna teve o seu primeiro pensador em Descartes e o último em Hegel. ´Herói do pensamento' - chama Hegel a Descartes; e acrescenta: 'Jamais se poderá insistir bastante nem com suficiente amplitude expor a acção ...

Anatomia da melancolia

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  Eis uma interessante reedição filosófica. E uma das razões desse interesse tem a ver com a nossa filosofia, a chamada filosofia portuguesa. No século XV o rei D. Duarte, no seu Leal Conselheiro, também analisou o problema do que então se chamava o "humor merencórico", procurando razões e saídas para aquilo a que hoje chamaríamos depressão (e de que ele próprio era vítima). Fazia-o dentro de um quadro de racionalidade, chamemos-lhe assim. Dois séculos mais tarde Burton ainda coloca a hipótese diabólica como causadora da melancolia. Um exemplo apenas para demonstrar que, ao contrário da opinião de alguns, há muito que aprender com a chamada "filosofia portuguesa" cujas origens podem remontar a D. Duarte e até antes.

Kant

 "O ponto de partida do pensamento kantiano é, deum lado, um fundo de crenças cristãs e mais especialmente pietistas, a fé no dever, o culto da intenção moral, a convicção da superioridade da prática sobre a dogmática; do outro lado, um sentido muito vivo e muito puro da ciência, a resolução de não se regular, no que concerne ao conhecimento da natureza, senão sobre a evidência da experiência e dos raciocínios matemáticos. Desde então, é essencialmente a questão das relações entre a ciência e a religião que vai agitar-se no espírito de Kant, e isso, logo que religião e ciência se forem desenvolvendo independentemente uma da outra, cada qual segundo o método que lhe é próprio."- Émile Boutroux, Kant (trad. de Álvaro Ribeiro), Lisboa, Editorial Inquérito, s/d, pp.25-26.

A arte da filosofia

 "A filosofia é uma arte, que dizer, uma das actividades humanas que se propõem inserir valores na sociedade. Definiu Aristóteles a arte como 'habilidade inteligente dirigida á produção de uma obra', pelo que a distingue do jogo inútil ou do trabalho reprodutor, e como arte foi considerada a filosofia depois do trívio e do quadrívio. A filosofia é uma arte de palavra, embora o discurso filosofal obedeça a exigências superiores ás da gramática, da retórica e da dialéctica."- Álvaro Ribeiro, Estudos Gerais, Lisboa, Guimarães Editores, 1961, p.83.

Da Influência das Paixões

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 Até ao século XX a filosofia foi uma actividade maioritariamente masculina, apesar de terem existido várias excepções. Aqui está uma delas, Madame de Stael, uma referência do movimento pré-romântico cujo título que aqui se apresenta sairá brevemente a público. É a sugestão do dia.

Sobre a lei natural

 "Vamos agora ocupar-nos da ciência das obras. Ao tratá-la encontramos quatro leis.  A primeira é chamada 'lei natural', que mais não é do que a luz implantada em nós por Deus pela qual sabemos o que devemos fazer e evitar. Esta lei e esta luz foram dadas por Deus ao homem na criação. Muitos, que não observam esta lei. julgam ser desculpados por ignorância. Contra esses diz o profeta: 'Muitos dizem 'quem nos fará ver o bem?' (Sl 4, 7), como se ignorassem o que deveriam fazer. Mas responde logo em seguida 'Senhor, levanta sobre nós a luz da tua face'. Esta luz está no intelecto e por ela são definidas as coisas que devemos fazer. Ninguém, na verdade, ignora que aquilo que não quer que lhe façam, não o deve fazer aos outros e outros princípios semelhantes."- São Tomás de Aquino, Catecismo (tradução de Duarte da Cunha e João César das Neves), Cascais, Lucerna, 2022, pp.141-142.

Filosofia e misticismo

 "A filosofia é um enorme apetite de transparência e uma resoluta vontade de meio-dia. O seu propósito radical é trazer para a superfície, declarar, descobrir o oculto ou velado - na Grécia a filosofia começou por chamar-se alétheia , que significa desocultação, revelação ou desvelação; em suma, manifestação. E manifestar não é senão falar, logos . Se o misticismo é calar, filosofar é dizer: descobrir na grande nudez e transparência da palavra o ser das coisas, dizer o ser - ontologia . Frente ao misticismo, a filosofia gostaria de ser o segredo aos gritos."- José Ortega y Gasset, O Que é a Filosofia? (trad. de José Bento), Lisboa, Cotovia, 1999.