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Kant

 "O ponto de partida do pensamento kantiano é, deum lado, um fundo de crenças cristãs e mais especialmente pietistas, a fé no dever, o culto da intenção moral, a convicção da superioridade da prática sobre a dogmática; do outro lado, um sentido muito vivo e muito puro da ciência, a resolução de não se regular, no que concerne ao conhecimento da natureza, senão sobre a evidência da experiência e dos raciocínios matemáticos. Desde então, é essencialmente a questão das relações entre a ciência e a religião que vai agitar-se no espírito de Kant, e isso, logo que religião e ciência se forem desenvolvendo independentemente uma da outra, cada qual segundo o método que lhe é próprio."- Émile Boutroux, Kant (trad. de Álvaro Ribeiro), Lisboa, Editorial Inquérito, s/d, pp.25-26.

A arte da filosofia

 "A filosofia é uma arte, que dizer, uma das actividades humanas que se propõem inserir valores na sociedade. Definiu Aristóteles a arte como 'habilidade inteligente dirigida á produção de uma obra', pelo que a distingue do jogo inútil ou do trabalho reprodutor, e como arte foi considerada a filosofia depois do trívio e do quadrívio. A filosofia é uma arte de palavra, embora o discurso filosofal obedeça a exigências superiores ás da gramática, da retórica e da dialéctica."- Álvaro Ribeiro, Estudos Gerais, Lisboa, Guimarães Editores, 1961, p.83.

Da Influência das Paixões

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 Até ao século XX a filosofia foi uma actividade maioritariamente masculina, apesar de terem existido várias excepções. Aqui está uma delas, Madame de Stael, uma referência do movimento pré-romântico cujo título que aqui se apresenta sairá brevemente a público. É a sugestão do dia.

Sobre a lei natural

 "Vamos agora ocupar-nos da ciência das obras. Ao tratá-la encontramos quatro leis.  A primeira é chamada 'lei natural', que mais não é do que a luz implantada em nós por Deus pela qual sabemos o que devemos fazer e evitar. Esta lei e esta luz foram dadas por Deus ao homem na criação. Muitos, que não observam esta lei. julgam ser desculpados por ignorância. Contra esses diz o profeta: 'Muitos dizem 'quem nos fará ver o bem?' (Sl 4, 7), como se ignorassem o que deveriam fazer. Mas responde logo em seguida 'Senhor, levanta sobre nós a luz da tua face'. Esta luz está no intelecto e por ela são definidas as coisas que devemos fazer. Ninguém, na verdade, ignora que aquilo que não quer que lhe façam, não o deve fazer aos outros e outros princípios semelhantes."- São Tomás de Aquino, Catecismo (tradução de Duarte da Cunha e João César das Neves), Cascais, Lucerna, 2022, pp.141-142.

Filosofia e misticismo

 "A filosofia é um enorme apetite de transparência e uma resoluta vontade de meio-dia. O seu propósito radical é trazer para a superfície, declarar, descobrir o oculto ou velado - na Grécia a filosofia começou por chamar-se alétheia , que significa desocultação, revelação ou desvelação; em suma, manifestação. E manifestar não é senão falar, logos . Se o misticismo é calar, filosofar é dizer: descobrir na grande nudez e transparência da palavra o ser das coisas, dizer o ser - ontologia . Frente ao misticismo, a filosofia gostaria de ser o segredo aos gritos."- José Ortega y Gasset, O Que é a Filosofia? (trad. de José Bento), Lisboa, Cotovia, 1999.

A prática filosófica

 "Porquê no mundo dos homens existe esta estranha fauna dos filósofos? Porquê entre os pensamentos dos homens há o que chamamos 'filosofias'? Como se vê, o tema não é popular, mas puramente técnico (...). É evidente que eu hei-de procurar ser entendido por todos, porque (...) penso que a claridade é a gentileza do filósofo (...). Em filosofia não costuma ser a via recta o caminho mais curto. Os grandes temas filosóficos só se deixam conquistar quando são tratados como os Hebreus fizeram com Jericó - aproximando-nos deles numa linha curva, em círculos concêntricos cada vez mais estreitos e insinuantes."- José Ortega y Gasset, O Que é a Filosofia? (trad. de José Bento), Lisboa, Cotovia, 1999, p.13-14.

Sobre o sentido da História (e da Filosofia)

 "Mas terá sentido falar de ´ventos da História'? A expressão corresponde sem dúvida a uma realidade, ou, mais rigorosamente, a um facto de ordem cultural. Há épocas em que os homens sentem que uma força tende a arrastá-los colectivamente, uma força com a qual não parece possível dialogar mas se apresenta imperativa e parece sentenciar - ou vens comigo ou morres! Mas esse facto psicológico terá fundamento fora do plano subjectivo? Sabe-se como as filosofias de raiz hegeliana supõem a existência daquilo a que Spengler chamou 'almas das culturas'. E Leo Frobenius dirá: 'A cultura não é criada pelo homem. É o homem que é criado pela cultura'. Quer dizer, segundo esta concepção, não é o homem que faz a História: a História é que faz o homem. Sem poder entrar aqui na análise crítica desta teoria, direi simplesmente que a considero (ao menos na sua forma absoluta) inaceitável a uma mentalidade cristã.". - Henrique Barrilaro Ruas, Portugal no Mundo de Hoje, Coimb...