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Os problemas do filósofo

 "Se eu, ilustríssimo cavaleiro, manejasse o arado, apascentasse um rebanho, cultivasse uma horta, remendasse um fato, ninguém faria caso de mim, raros me observariam, poucos me censurariam, e facilmente poderia agradar a todos. Mas, por eu ser delineador do campo da natureza, atento ao alimento da alma, ansioso da cultura do espírito e estudioso da actividade do intelecto, eis que me ameaça quem se sente visado, me assalta quem se vê observado, me morde quem é atingido, me devora quem se sente descoberto. E não é só um, não são poucos, são muitos, são quase todos."- Giordano Bruno, Acerca do Infinito, do Universo e dos Mundos (trad. Aura Montenegro), Lisboa, FCG, 1984, p.1.

Estética

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 Pode não parecer, à primeira vista. Pode parecer apenas uma banda punk, mas não é. Porque a capa deste álbum é das mais bonitas que já se fizeram em Portugal. Numa simples fotografia encontramos a essência do punk, um espectro que vai da irreverência à amizade e á fidelidade. Captar isto numa só fotografia é tarefa ao alcance de poucos. A estética também é isto, a arte onde menos se espera. Aparentemente.

Determinismo cultural?

  “Desde a nascença, todo o indivíduo começa a receber a herança cultural, que assegura a sua formação, a sua orientação, o seu desenvolvimento de ser social. A herança cultural não vem unicamente sobrepor-se à hereditariedade genética.” - Edgar Morin, O Paradigma Perdido.

E uma crítica papal com a qual Robert Nozick aparentemente não concordaria

  1.        “Enquanto os lucros de poucos crescem exponencialmente, os da maioria situam-se cada vez mais longe do bem-estar daquela minoria feliz. Tal desequilíbrio provém de ideologias que defendem a autonomia absoluta dos mercados e a especulação financeira. Por isso, negam o direito de controlo dos Estados, encarregados de velar pela tutela do bem comum. Instaura-se uma nova tirania invisível, às vezes virtual, que impõe, de forma unilateral e implacável, as suas leis e as suas regras.” - Papa Francisco, A Alegria do Evangelho, Paulinas, 2013.

Livre-arbítrio?

  ” Devo muito pouco ao meio, à educação, à linhagem do meu sangue. Em larga medida, encontrei-me em oposição quer à tradição predominante no Ocidente – o cristianismo e o catolicismo -, quer à civilização actual, o ‘mundo moderno ’democrático e materialista, para não referir a cultura e a mentalidade dominantes na nação em que nasci, a Itália, e, finalmente, o meu meio familiar. De qualquer modo a influência de tudo isto não foi senão indirecta, negativa, não provocou em mim senão reacções.” - Julius Evola.

Hoje só temos tempo para uma sugestão

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 Num mundo maioritariamente dominado por canais em português do Brasil, alguns deles com bastante qualidade (caso do Didatics), a referência a um em português de Portugal. Podem melhorar o som e a dicção, mas os conteúdos são bem apresentados e oferecem um panorama global das aprendizagens essenciais da disciplina.

Breve esboço sobre a democracia em Portugal

  No ano de 1820 deu-se a revolução liberal em Portugal. Até à data o país vivera sob regime monárquico, não-constitucional. E, se durante a Idade Média existiram as cortes, regularmente convocadas, nos séculos XVII e XVIII as mesmas foram sendo progressivamente esquecidas. O sistema monárquico tornou-se absolutista (com D.João V e D.José I).   Na sequência da revolução liberal foi elaborada a Carta Constitucional e, posteriormente, uma Constituição. O sistema passou a ser a monarquia constitucional, no qual o rei já não possui o poder absoluto e se encontra condicionado pelas normas escritas naquele que é, agora, o documento fundamental do país.   Progressivamente este regime foi-se tornando mais sólido, mas a existência de uma constituição e da separação de poderes não bastavam para fazer de Portugal uma democracia. Criaram-se partidos, existiam eleições regulares, mas o número de eleitores era muito reduzido em relação à população total do país. Além disso vivia-se...