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Kierkegaard

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 Na década de 1980 quem estudasse Filosofia no ensino secundário encontrava um programa bem diferente daquele que existe actualmente. Numa abordagem mais próxima da história das ideias, estudavam-se autores hoje completamente ausentes. No 12ºano aqueles que seguiam a via das humanidades deparavam-se com o inevitável Kant, mas também com Hegel e, dependendo do tempo e da boa vontade docente, Kierkegaard, Nietzsche e Marx.  Hoje há lógica, falácias, pouco Kant, algum utilitarismo, pouco Descartes e nenhum Galileu, alguma filosofia da ciência e etc, variedade quanto baste, mas pode sair-se do ensino secundário sem nunca se ter ouvido falar de alguns dos nomes centrais da história da filosofia. O aluno, se quiser, que pesquise por si. E, assim sendo, aqui fica a sugestão. Ausente das aprendizagens essenciais (agora já nem sequer existem programas), sem espaço sequer na filosofia da religião, Kierkegaard terá de ser descoberto pela iniciativa de cada um. Felizmente ainda há quem o ...

poesia

 "O que é um poeta? uma pessoa infeliz que oculta uma angústia profunda em seu coração, mas cujos lábios são formados de tal forma que, à medida que suspiros e gemidos passam por eles, soam como uma bela música."- Soren Kierkegaard, cit. in Domingos Salgado de Sousa, Soren Kierkegaard - poeta e teólogo singular , Prior Velho, Paulinas, 2025, p.7

A Revolução Coperniciana

 "Não necessito de insistir na enorme importância científica e filosófica da astronomia coperniciana, que, ao arrancar a Terra do centro do mundo e ao colocá-la no céu entre os planetas, minou os próprios alicerces da ordem cósmica tradicional, juntamente com a sua estrutura hierárquica e a oposição qualitativa do domínio celeste do ser imutável às regiões terrestres ou sublunares da mudança e da dissolução. Comparada com a crítica profunda das suas bases metafísicas por Nicolau de Cusa, a revolução coperniciana pode parecer mais tímida e muito pouco radical. Em compensação, ela foi muito mais eficaz, pelo menos a longo prazo: porque, como sabemos, o resultado imediato da revolução coperniciana foi o de difundir o cepticismo e a perturbação."- Alexandre Koyré, Do Mundo Fechado ao Universo Infinito (trad. Jorge Pires), Lisboa, Gradiva, s/d, p.34-35.

Dez Onze Doze

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 Já aqui se disse: por vezes há boa filosofia na música, seja ela mais erudita ou mais popular. Portugal não é excepção e um dos nomes que foi capaz de transportar a reflexão para o vinil foi a Banda do Casaco. Um dos seus grandes trabalhos foi o lendário Hoje Há Conquilhas Amanhã Não Sabemos , de onde se extraiu esta maravilha.

Paradigma

 "Em história da ciência o termo foi introduzido por T.Kuhn na obra A Estrutura das Revoluções Científicas designando uma teoria ou sistema aceites por uma comunidade científica e que durante algum tempo orienta a sua actividade. Inclui quer regras metodológicas, quer elementos axiológicos e metafísicos. podemos considerar como exemplos de paradigma a mecânica newtoniana e a teoria da relatividade de Einstein. A mudança de paradigma corresponde a uma revolução científica e a uma nova maneira de ver o mundo tão diferentes que Kuhn considera que paradigmas em competição são em geral incomensuráveis."- Alfredo Dinis, Logos, Lisboa, Verbo, 1991, 1332.

Filosofia da Ciência

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 Já aqui falei da excelente série The Great Philosophers, exibida pela BBC em 1987, e que deu origem a um livro (traduzido em português pela Presença). Bryan Magee, o coordenador, já antes nos oferecera alguns programas com filósofos relevantes. É o caso desta entrevista com Hilary Putnam, acerca da filosofia da ciência.

Os problemas do filósofo

 "Se eu, ilustríssimo cavaleiro, manejasse o arado, apascentasse um rebanho, cultivasse uma horta, remendasse um fato, ninguém faria caso de mim, raros me observariam, poucos me censurariam, e facilmente poderia agradar a todos. Mas, por eu ser delineador do campo da natureza, atento ao alimento da alma, ansioso da cultura do espírito e estudioso da actividade do intelecto, eis que me ameaça quem se sente visado, me assalta quem se vê observado, me morde quem é atingido, me devora quem se sente descoberto. E não é só um, não são poucos, são muitos, são quase todos."- Giordano Bruno, Acerca do Infinito, do Universo e dos Mundos (trad. Aura Montenegro), Lisboa, FCG, 1984, p.1.