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Estado natural

  “Partindo da premissa de que no estado de natureza, fora de qualquer comunidade, nada mais haveria senão a guerra de todos contra todos, Hobbes argumenta que os princípios racionais de interesse próprio iriam forçar os homens a abdicar da sua liberdade ilimitada em troca de iguais concessões por parte dos outros. Tais princípios levá-los-iam a transferir os seus direitos, excepto o de autodefesa, para um poder central capaz de fazer cumprir as leis através de castigos”.  Anthony Kenny, Ascensão da Filosofia Moderna , Gradiva, 2011, p.56.

Fragilidade

  "Segundo Hobbes, os seres humanos existem por natureza num estado de independência e autonomia radicais. Ao reconhecerem a fragilidade de uma condição na qual a vida em tal estado é “desagradável, brutal e breve”, usam o seu interesse próprio racional para sacrificarem a maioria dos seus direitos a fim de garantirem a protecção e a segurança de um soberano. A legitimidade é conferida por consentimento."  - Patrick J. Deneen, Porque Está a Falhar o Liberalismo, Gradiva, 2019, p43.  

Subjectivismo

 "Imagine-se qualquer acção reconhecidamente viciosa: homicídio voluntário, por exemplo. Examinemo-lo sob todas as perspectivas, e vejamos se conseguimos encontrar esse facto ou realidade que chamamos vício. (...) Nunca conseguimos descobri-lo até voltarmos a reflexão para nós mesmos e descobrirmos um  sentimento de reprovação que nasce em nós, perante essa acção. Eis uma questão de facto; mas é objecto do sentimento e não da razão."- David Hume, Tratado da Natureza Humana.

O Novo Mundo

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 Já aqui se disse que a música tem, frequentemente, uma forte dimensão filosófica. O mesmo sucede, naturalmente, com o cinema, Um dos filmes que melhor cruzou, neste século, a imagem em movimento e a reflexão filosófica foi O Novo Mundo , do norte-americano Terrence Malick (ele próprio um homem da filosofia). Aqui é Montaigne que entra em cena pela voz do capitão Smith, personagem que também antecipa algumas das reflexões relativistas do século XVIII e dá voz a pensamentos que encontramos em Montaigne e em Rousseau. Hoje, devidamente vacinados, podemos olhar para todo este cenário de forma neutra. Outrora, perante a vastidão das paisagens e a riqueza da novidade, foi compreensível o deslumbramento.

Kierkegaard

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 Na década de 1980 quem estudasse Filosofia no ensino secundário encontrava um programa bem diferente daquele que existe actualmente. Numa abordagem mais próxima da história das ideias, estudavam-se autores hoje completamente ausentes. No 12ºano aqueles que seguiam a via das humanidades deparavam-se com o inevitável Kant, mas também com Hegel e, dependendo do tempo e da boa vontade docente, Kierkegaard, Nietzsche e Marx.  Hoje há lógica, falácias, pouco Kant, algum utilitarismo, pouco Descartes e nenhum Galileu, alguma filosofia da ciência e etc, variedade quanto baste, mas pode sair-se do ensino secundário sem nunca se ter ouvido falar de alguns dos nomes centrais da história da filosofia. O aluno, se quiser, que pesquise por si. E, assim sendo, aqui fica a sugestão. Ausente das aprendizagens essenciais (agora já nem sequer existem programas), sem espaço sequer na filosofia da religião, Kierkegaard terá de ser descoberto pela iniciativa de cada um. Felizmente ainda há quem o ...

poesia

 "O que é um poeta? uma pessoa infeliz que oculta uma angústia profunda em seu coração, mas cujos lábios são formados de tal forma que, à medida que suspiros e gemidos passam por eles, soam como uma bela música."- Soren Kierkegaard, cit. in Domingos Salgado de Sousa, Soren Kierkegaard - poeta e teólogo singular , Prior Velho, Paulinas, 2025, p.7

A Revolução Coperniciana

 "Não necessito de insistir na enorme importância científica e filosófica da astronomia coperniciana, que, ao arrancar a Terra do centro do mundo e ao colocá-la no céu entre os planetas, minou os próprios alicerces da ordem cósmica tradicional, juntamente com a sua estrutura hierárquica e a oposição qualitativa do domínio celeste do ser imutável às regiões terrestres ou sublunares da mudança e da dissolução. Comparada com a crítica profunda das suas bases metafísicas por Nicolau de Cusa, a revolução coperniciana pode parecer mais tímida e muito pouco radical. Em compensação, ela foi muito mais eficaz, pelo menos a longo prazo: porque, como sabemos, o resultado imediato da revolução coperniciana foi o de difundir o cepticismo e a perturbação."- Alexandre Koyré, Do Mundo Fechado ao Universo Infinito (trad. Jorge Pires), Lisboa, Gradiva, s/d, p.34-35.