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O Novo Mundo

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 Já aqui se disse que a música tem, frequentemente, uma forte dimensão filosófica. O mesmo sucede, naturalmente, com o cinema, Um dos filmes que melhor cruzou, neste século, a imagem em movimento e a reflexão filosófica foi O Novo Mundo , do norte-americano Terrence Malick (ele próprio um homem da filosofia). Aqui é Montaigne que entra em cena pela voz do capitão Smith, personagem que também antecipa algumas das reflexões relativistas do século XVIII e dá voz a pensamentos que encontramos em Montaigne e em Rousseau. Hoje, devidamente vacinados, podemos olhar para todo este cenário de forma neutra. Outrora, perante a vastidão das paisagens e a riqueza da novidade, foi compreensível o deslumbramento.

E ainda o relativismo

  "A ideia de que a ética é apenas uma questão de convenções sociais atraiu sempre as pessoas educadas. Culturas diferentes têm códigos morais diferentes, diz-se e pensar que há um padrão universal que se aplica em todas as épocas e lugares não passa de uma ingenuidade. É fácil encontrar exemplos. Nos países islâmicos, os homens podem ter mais do que uma mulher. Na Europa medieval, pensava-se que emprestar dinheiro a juros era pecado. Os povos nativos do norte da Gronelândia por vezes abandonavam as pessoas velhas, deixando-as morrer ao frio. Ao pensar em exemplos como estes, os antropólogos concordam há muito com a afirmação de Heródoto: ‘O costume é o rei de todos nós’.”-   James Rachels, Problemas da Filosofia, Gradiva, 2009, pp.237

Relativismo (de novo)

  "É uma verdade incontroversa que pessoas de diferentes sociedades têm costumes diferentes e diferentes ideias acerca do bem e acerca do mal morais. Não há consenso mundial sobre a questão de saber que acções são moralmente boas e moralmente más, apesar de existir uma convergência considerável sobre estas matérias. Se tivermos em consideração o quanto as ideias morais mudam, quer de lugar para lugar, quer ao longo do tempo, pode ser tentador pensar que não existem factos morais absolutos e que, pelo contrário, a moral é sempre relativa à sociedade na qual fomos educados."  Nigel Warburton, Elementos Básicos de Filosofia , Gradiva, 1998, pp.98-99

Relativismo (2)

  Em verdade, os homens deram a si próprios todo o seu Bem e Mal (…). Antes de tudo, o homem atribuiu valores às coisas a fim de se manter -começou por criar um sentido para as coisas, um sentido humano! Por isso, ele se chama “homem”, isto é, aquele que avalia.   Avaliar é criar (…). O próprio acto de avaliar é que constitui o tesouro e a jóia de todas as coisas avaliadas.   Só mediante o avaliar é que há valor, e, sem a avaliação, a noz da existência seria oca.   Friedrich Nietzsche, Assim Falava Zaratustra , Relógio d’Água, 1998, pp.67-68

Relativismo

  "Xenófanes inaugura a doutrina do relativismo: a posição de que a verdade das coisas (…) está nos olhos do observador ou, para ser mais preciso, nos tipos de observadores em questão.  A ideia basilar aqui é que observadores diferentemente localizados irão ver as coisas do seu próprio ponto de vista. A ideia foi mais elaborada por (…) Protágoras."-   Nicholas Rescher, Uma Viagem Pela Filosofia em 101 Episódios , Gradiva, 2018, p.28.

Teria Heródoto razão?

  "A ideia de que a ética é apenas uma questão de convenções sociais atraiu sempre as pessoas educadas. Culturas diferentes têm códigos morais diferentes, diz-se e pensar que há um padrão universal que se aplica em todas as épocas e lugares não passa de uma ingenuidade. É fácil encontrar exemplos. Nos países islâmicos, os homens podem ter mais do que uma mulher. Na Europa medieval, pensava-se que emprestar dinheiro a juros era pecado. Os povos nativos do norte da Gronelândia por vezes abandonavam as pessoas velhas, deixando-as morrer ao frio. Ao pensar em exemplos como estes, os antropólogos concordam há muito com a afirmação de Heródoto: ‘O costume é o rei de todos nós’.”    James Rachels, Problemas da Filosofia , Gradiva, 2009, pp.237