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E outra reflexão para encerrar o ano

 "Aquele que não pensa é um fanático; aquele que não pode pensar é um idiota; aquele que não se atreve a pensar é um cobarde."- Francis Bacon, Super Interessante - Filosofia: Origens do pensamento clássico, s/d, p.194.

E uma reflexão para encerrar o ano

 "Ninguém ensina filosofia a ninguém. O sistema é o único que oferece segurança aos angustiados, um castelo de razões, um muro fechado de pensamentos invulnerável ao vazio."- Maria Zambrano, cit, in Super Interessante - Filosofia: origens do pensamento clássico , s/d, p.4.

Interacções

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 A Filosofia não é um lugar fechado, sabemo-lo há muito, e é bem conhecida a asserção de Marx segundo a qual os filósofos não brotam da terra como os cogumelos, sendo fruto da sua época. Desta e das suas interacções sociais, acrescentaria. Uma delas é com a música que se faz em cada época.  Vem isto a propósito da audição de um LP de uma banda dos anos oitenta e que muito aprecio, os Linha Geral, que viram no ano passado o seu trabalho ser reeditado. No interior do álbum, ao lado das letras das canções, encontramos uma citação de Nietzsche, outro dos que conhecia bem o valor da música: "O que cria procura companheiros, daqueles que sabem afiar as foices. Hão-de tratá-los como destruidores e pessoas que desprezam o bem e o mal. Mas hão-de ser eles que farão a ceifa e celebrarão a sua festa.". É Nietzsche, hoje afastado dessa coisa chamada "aprendizagens essenciais" (e talvez fique satisfeito com isso). E é a música dos Linha Geral, que aqui fica para quem não conhece...

Natal

 "Em 25 de Dezembro, a cristandade celebra um nascimento, o de uma criança chamada a fundar uma religião totalmente nova: Jesus de Nazaré, que se dirá o Messias e o Salvador de todos os homens. Esta celebração foi no entanto tardia. Sob certos aspectos, foi mesmo surpreendente. A data de nascimento de Jesus é na verdade perfeitamente desconhecida. Não se celebravam os aniversários no Próximo Oriente antigo e, geralmente, os pais não se recordavam da data exacta de nascimento dos seus filhos. Aliás, no cristianismo primitivo, não se punha em causa festejar o nascimento de Cristo: cerca de 245, Orígenes afirmou mesmo que era 'inconveniente' ocupar-se de tal questão, como se Jesus fosse um rei ou algum faraó!  As escrituras não nos prestam qualquer ajuda. O evangelho canónico mais antigo, o de Marcos, ignora tudo da infância de Jesus. Mateus situa o nascimento de Jesus em Belém de Judá, por causa de uma profecia (...). João situa-o vagamente na Galileia, citando, também, a pr...

Sócrates

 "Sócrates não tem actividade profissional. Desempenha escrupulosamente os seus deveres de cidadão, mas recusa-se a fazer política. Um dia o oráculo, solicitado por um dos seus amigos. designa-o como o mais sábio dos Gregos. Sócrates fica muito surpreendido e faz um inquérito para verificar as palavras do deus. Interrogando poetas, homens políticos e gentes de ofício, apercebe-se de que tinha sobre eles pelo menos uma vantagem: sabe que não sabe nada, enquanto que os outros se instalam numa certeza cómica. A partir de então, compreende a sua tarefa. Denunciar incansavelmente, sejam quais forem os riscos, as incoerências e as tolices que constituem a estrutura da opinião comum. Provocar, em conversas livres e abertas, aqueles que se impõem como mestres do pensamento, desde o 'professor' Górgias ao chefe político Alcibíades e do piedoso Êutifron ao estratega Laquete, a fim de lhes mostrar que quando falam, quando tentam expor as suas ideias, o que fazem é dizer tolices (toma...

Outono

 Agora que se aproxima o Inverno, as palavras de Teixeira de Pascoaes sobre o Outono, ainda num tom de evocação romântica. "O Outono é uma doença das árvores e da minha alma que desfalece, como elas, e fica sozinha numa paisagem moribunda.  Mas os fantasmas aparecem, no ermo. O silêncio das coisas desperta os mortos, em vez de lhes prolongar o sono. Levantam-se do túmulo e surgem, diante de nós. Vemo-los claramente. Porquê? Porque não somos apenas realidade. A fantasia dos deuses colabora também no nosso ser. Em nós, há uma parte ilusória, por intermédio da qual convivemos com as almas e divagamos nos píncaros da Lua. Eu bem sinto o que, em mim, existe de quimérico, este poder de baixar ao Inferno e de subir na Luz espiritual."- Teixeira de Pascoaes, Livro de Memórias, Lisboa, Assírio e Alvim, 2001, p.42.

E para terminar...

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 ,,, as sugestões natalícias, não podia faltar o romance. Neste caso o primeiro grande romance alemão, uma espécie de D. Quixote das terras do Reno, com tudo o que isso implica, ao nível do picaresco e do filosófico. Vou deixar aqui o comentário que pode ser lido no site da editora:   Considerado o primeiro grande romance da literatura alemã e com uma importância equivalente à de «Dom Quixote», de Miguel de Cervantes. Simplicissimus , escrito por Johannes von Grimmelshausen em 1668, é considerada uma das obras mais importantes da literatura barroca alemã. A narrativa acompanha a vida de um jovem ingénuo, Simplicius, durante a devastadora Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). O  protagonista, arrancado de uma pacata vida rural depois de um ataque à sua aldeia, embarca numa jornada marcada por aventuras surreais, desventuras cómicas e encontros filosóficos. Enquanto tenta compreender o mundo que o rodeia, Simplicius passa por várias transformações – de pastor a eremita, solda...