"A lógica cuida de si própria; temos apenas de ver como ela o faz"- Ludwig Wittgenstein, Cadernos 1914-1916 (trad. de João Tiago Proença), Lisboa, Edições 70, 2004, p.22.
"Entre as qualidades morais só a verdadeira virtude é sublime. Sem dúvida, existem qualidades morais que são amáveis e belas e que enquanto estão em harmonia com a virtude são consideradas como nobres, ainda que não se possam incluir na atitude virtuosa."- Kant, Observações Sobre o Sentimento do Belo e do Sublime (trad. de Pedro Panarra), Lisboa, Edições 70, p.42.
"Para Kant, é necessário dizer-se a verdade em qualquer ocasião. Por exemplo, diz ele, se hospedo um amigo e me batem à porta criminosos e me perguntam se esse amigo ali está, correndo embora o risco de expor o meu amigo à faca dos seus agressores, não devo mentir. Benjamin Constant, e não foi ele o único, sentiu-se muito chocado por esta afirmação do dever incondicional de veracidade (...). Num texto a que Kant respondeu, Constant sustenta que adoptar o ponto de vista de Kant é, contrariamente ao que pretende o filósofo, tornar impossível a vida em sociedade: se eu tivesse de dizer a cada instante a verdade, o laço social seria destruído. A resposta de Kant mergulha com efeito o leitor no desconcerto: é um pequeno texto que é também um grande texto, e perturbante, porque a sua argumentação é difícil de recusar. Kant mostra nele que se pomos em questão esse 'dever incondicional sagrado' que consiste em sermos verídicos, traímos justamente aquilo que faz o laço social. Ka...
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