No 182º aniversário do nascimento de Nietzsche

 "Teremos dado um grande passo, e promovido o progresso da ciência estética, quando chegarmos não só á indução lógica, mas também à certeza imediata, deste pensamento: a evolução progressiva da arte resulta do duplo carácter do espírito apolíneo e do espírito dionisíaco, tal como a dualidade dos sexos gera a vida no meio de lutas que são perpétuas e por aproximações que são periódicas. Tais designações, fomos nós buscá-las aos Gregos. Foram eles quem tornou inteligível ao pensador o sentido oculto e profundo da concepção artística, não por meio de noções abstractas, mas com auxílio das figuras altamente significativas do mundo dos seus deuses. É, pois, às suas duas divindades das artes, a Apolo e a Diónisos, que se refere a nossa consciência do extraordinário antagonismo, tanto de origens como de fins, que existe no mundo grego entre a arte plástica ou apolínea e a arte sem formas ou musical, a arte dionisíaca."- F. Nietzsche, A Origem da Tragédia (trad. de Álvaro Ribeiro), Lisboa, Guimarães Editores, 1988, p.35.

Assim se iniciava o primeiro capítulo da primeira obra do filósofo que seria uma das influências maiores na cultura do século XX. Foi-o em áreas como a política, influenciando o pensamento de Mussolini (que era seu leitor interessado) e o fascismo; a literatura com nomes como Ibsen ou Conrad; na própria filosofia, com Derrida entre outros. Note-se a curiosidade de esta obra ter sido traduzida em Portugal por Álvaro Ribeiro, um dos nomes maiores da chamada filosofia portuguesa.

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