Filosofia moderna

 "Aquela filosofia que hoje se ensina nas escolas com a designação de 'filosofia moderna', caracteriza-a Hegel por 'abandonar totalmente o domínio da teologia filosofante' e constituir 'o ponto de partida daquilo a que os franceses chamam as ciências exactas'. O que lhe é essencial, o primado da vontade, recebe-o todavia a filosofia moderna da teologia escolástica. Por isso dizemos que só aparentemente ela representa uma ruptura com a teologia, filosofante ou não, e antes a prolonga dando-lhe, precisamente no abandono da expressão teológica e na construção das ciências exactas, as condições para um triunfo que, há quatro séculos indiscutido, hoje podemos ver ter sido, e estar sendo, ilusório.

 Tal como é entendida escolarmente, a filosofia moderna teve o seu primeiro pensador em Descartes e o último em Hegel. ´Herói do pensamento' - chama Hegel a Descartes; e acrescenta: 'Jamais se poderá insistir bastante nem com suficiente amplitude expor a acção exercida por este homem sobre o seu tempo e  sobre o desenvolvimento da filosofia em geral'; ´com ele, podemos enfim sentirmo-nos em casa, como o mareante que grita depois de uma longa e temerosa viagem por turbulentos mares: Terra!'"- Orlando Vitorino, Refutação da Filosofia Triunfante, Lisboa, Teoremas, 1976, pp.58-59.

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