Descartes e a ciência moderna
“Antes de mais, Descartes não foi
somente um filósofo; foi também um grande matemático e um dos fundadores da
física moderna. Embora seja hoje prática comum distinguir estas áreas, as
coisas não eram assim na época de Descartes, nem essa divisão teria encorajado
o desenvolvimento de nenhuma delas. Descartes pertenceu àquele mundo pós-Reforma
no qual, à medida que a autoridade da Igreja e das Escrituras recuava, assim
avançavam a especulação e a experiência científicas. Embora quase todos os
filósofos ou cientistas da época acreditassem sinceramente nos dogmas da
religião, trabalhavam independentemente dos constrangimentos intelectuais
impostos por estes últimos, confiando que os seus esforços seriam suficientes
para estabelecer a verdade sobre questões que tinham ficado durante séculos sem
resposta. Sobre a revolução científica da qual Descartes fez parte foi dito o
seguinte: Visto que derrubou a autoridade da ciência não apenas da Idade Média,
mas também do mundo antigo – pois levou tanto ao eclipse da filosofia
escolástica como à destruição da física aristotélica -, ela tudo ofuscou desde
o surgimento do Cristianismo e reduziu a Renascença e a Reforma ao estatuto de
meros episódios, a meras alterações internas dentro do sistema da cristandade
medieval.”- Roger Scruton, Breve História
da Filosofia Moderna, pp.61-62, Lisboa, Guerra e Paz, 2010.
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