Livre-arbítrio e determinismo
"Mas para que ninguém, com base no que dissemos, julgue que afirmamos que os acontecimentos decorrem segundo a necessidade do destino, em virtude de termos falado de factos conhecidos de antemão, resolveremos também essa dificuldade. As penas, os castigos e as recompensas são dadas a cada um conforme o mérito das suas acções; aprendemos isto dos profetas e mostraremos que é verdade. De facto, se não fosse assim, mas tudo sucedesse por força do destino, então absolutamente nada dependeria de nós. Se, na verdade, é o destino que faz com que este seja bom e aquele mau, nem o primeiro é aceitável nem o segundo reprovável. Por outro lado, de o género humano não tem poder, pelo livre-arbítrio, para evitar o mal e preferir o bem, não pode considerar-se responsável por nenhuma das suas acções. Mas eis como demonstraremos que o homem se comporta de modo justo ou errado por escolha livre (...). Efectivamente, vemos que o mesmo homem passa de um comportamento ao oposto. Ora, se o que é mau ...