Posts

Showing posts from December, 2024

Ensaios

Image
  Uma sugestão natalícia pode também ser esta obra, uma das fundamentais da história da filosofia. Trata-se dos Ensaios , de Michel de Montaigne. Saiu agora o terceiro e último volume. Trata-se de um verdadeiro acontecimento editorial, na medida em que, até agora, não existia nenhuma edição completa dos Ensaios no mercado editorial nacional. Pode sempre ser acompanhado com a leitura de Michel Eyquem, Senhor de Montaigne, do nosso muito português Agostinho da Silva.

Ensaios Sobre a Virtude e a Felicidade

Image
  Agora que se aproxima o Natal, aqui fica uma sugestão de leitura. Foi livro deste ano de 2024 para os críticos do Expresso, o que pode não querer dizer muito a alguns, mas sensibilizará uns quantos. Filosofia setecentista, de um autor que até à data pouco estava publicado em Portugal (a excepção era um pequeno volume de textos escolhidos, editado há uns anos).

O que é a ideologia?

  À ideologia enquanto conceito pode aplicar-se o dito augustiniano sobre o tempo: “se não me perguntarem o que é, sei; se me perguntarem não sei.”   Conjunto de preceitos para a vida social, capazes de facilitar uma integração? Com o necessário risco de exclusão, pois nem todos podem incluir-se na ideologia desejada, abençoada. Determinam comportamentos, até ao extremo nalguns casos. O seu poder é tal que “…para Isaiah Berlin, o desenvolvimento das tecnologias e das ciências, e as grandes tempestades ideológicas são os dois factores decisivos da história do século XX” (Ball). Pergunta: continuará o século XXI a ser marcado pelas ideologias? Até ao momento podemos dizer que sim, pelo menos aparentemente. Uma das ideias que se repete constantemente é a da falência dos chamados partidos do centro. No entanto, se isso parece ser verdadeiro, tal não significa o fim das ideologias, pois as mesmas não se esgotam em tais movimentos (até certo ponto despojados frequentemente de carg...

O que é a Dúvida Metódica?

  Descartes (1596-1650) parte de uma evidência: a da confusão intelectual instalada na sua época, em que o cepticismo abala a confiança nas capacidades da razão humana e na possibilidade de conhecer. Feita esta constatação, Descartes propõe-se utilizar a estratégia dos cépticos: colocará em prática a dúvida, não com o intuito destrutivo de quem questiona sem uma finalidade definida, mas tendo em vista a aquisição de uma certeza inabalável, fundamento sólido para a edificação do conhecimento.   A dúvida será, então, o meio de que Descartes se serve para conseguir uma evidência clara e distinta. A ela tudo se deverá submeter numa sucessão de etapas que culminarão no cogito, verdade primeira que nem as mais extravagantes suposições dos cépticos conseguirão abalar, nas palavras do filósofo.   A dúvida metódica prossegue, como atrás se disse, por etapas. Em primeiro lugar questionam-se as evidências dos sentidos. Tendo em conta que estes nos enganam algumas vezes, conclui-...